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Cerimônia de Encerramento do Circuito Penedo traz os premiados da edição

Seguindo o formato híbrido e diverso da programação, a solenidade contou com a presença de apoiadores e diretores dos filmes

A noite do último domingo (28) foi marcada pela cerimônia de encerramento do Circuito Penedo de Cinema que revelou os premiados das mostras competitivas. O momento aconteceu na Praça 12 de Abril e reuniu os apoiadores, que aproveitaram a oportunidade para fazer agradecimentos e colocar intenções para o evento de 2022.

A solenidade contou com a presença de Guilherme Lopes, representante da Prefeitura de Penedo; Tereza Machado, superintendente de Formação e Difusão da Secretaria de Cultura do Estado; Maciel Oliveira, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e Josealdo Tonholo, Reitor da Universidade Federal de Alagoas. Além disso, participaram também, virtualmente, os realizadores das mostras competitivas.

Destacando a importância do evento, os apoiadores falaram sobre o papel da Cultura como vetor de desenvolvimento social de Penedo, que é considerada uma cidade criativa e atrativa para diversos tipos de eventos. Tereza Machado dirigiu agradecimentos especiais ao coordenador do evento, Sérgio Onofre, que em suas palavras “não desiste e traz a cada ano um evento ainda maior e mais enriquecedor”.

A reabertura do Cine São Francisco, que ocorria simultaneamente na cidade, também foi comentada citando a resistência e o resgate da veia artística penedense. “Hoje encerramos esse evento tão importante, reabrimos o Cine São Francisco e em breve teremos uma escola de cinema em Penedo. Esse é um momento de resgate da Cultura que nunca deveríamos ter esquecido”, ressaltou Guilherme Lopes.

Na sequência, o curta-metragem “Carta Aberta Ao Velho Chico” – produzido pelos alunos do IFAL Penedo em uma das oficinas do Circuito foi exibido e aplaudido pelo público. O momento também rendeu uma homenagem a Wilson Berlarmino, estudante de Comunicação Social da UFAL que desenvolveu a identidade visual desta edição. 

Encerrando a cerimônia, os premiados das mostras competitivas do 11º Circuito Penedo de Cinema foram apresentados nas categorias Júri Popular e Júri Oficial, sendo a primeira categoria composta pelos votos dos internautas e a segunda pelos profissionais da área selecionados pelo Circuito. Confira:

8º Festival Velho Chico de Cinema Ambiental

Categoria Júri Popular: O VAZIO QUE ATRAVESSA – DOCUMENTÁRIO, DIGITAL, COR, 22MIN58, MG, 2021 – DIREÇÃO: FERNANDO MOREIRA

Categoria Júri Oficial: SERRADO – DOCUMENTÁRIO, DIGITAL, COR, 13MIN17, GO, 2020 – DIREÇÃO: CEZAR FILHO

Menção Honrosa: TAPAJÓS: UMA BREVE HISTÓRIA DA TRANSFORMAÇÃO DE UM RIO – ANIMAÇÃO, DIGITAL, COR, 14MIN51, DF, 2021 – DIREÇÃO: ALAN SCHVARSBERG E CÍCERO FRAGA 

11º Festival de Cinema Universitário de Alagoas

Categoria Júri Popular: MIADO – ANIMAÇÃO, DIGITAL, COR, 8MIN27, SP, 2021 – DIREÇÃO: VICTÓRIA SILVESTRE

Categoria Júri Oficial: O ANDAR DE CIMA – FICÇÃO, DIGITAL, COR, 22MIN54, SP, 2021 – DIREÇÃO: TOMÁS FERNANDES DA SILVA

Menção Honrosa: QUARENTENA PRA QUEM? – DOCUMENTÁRIO, DIGITAL, COR, 7MIN39, AL, 2021 – DIREÇÃO: MARK NASCIMENTO

14º Festival do Cinema Brasileiro

Categoria Júri Popular: AS VEZES QUE NÃO ESTOU LÁ – FICÇÃO, DIGITAL, COR, 25MIN, PE, 2020 – DIREÇÃO: DANDARA DE MORAIS

Categoria Júri Oficial: INABITÁVEL – FICÇÃO, DIGITAL, COR, 19MIN57, PE, 2020 – DIREÇÃO: MATHEUS FARIAS E ENOCK CARVALHOMenção Honrosa: A BELEZA DE ROSA – FICÇÃO, DIGITAL, COR, 20MIN, CE, 2020 – DIREÇÃO: NATAL PORTELA

Criador da identidade visual do Circuito Penedo 2021 é homenageado durante a cerimônia de encerramento

O artista é aluno da UFAL e trouxe em sua arte muita cor e simbolismo

A construção do Circuito Penedo de Cinema conta com a colaboração de inúmeras pessoas envolvidas nas mais diversas atividades. Na edição de 2021, a identidade visual do evento ficou nas mãos do estudante de Relações Públicas da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Wilson Belarmino. Com um grande talento voltado à arte, o jovem também estudou produção de moda da Escola Técnica de Artes (ETA/UFAL) e, após desenvolver um projeto de identidade visual para o curso, se identificou com a criação de artes voltadas para eventos.

Neste ano, com a abertura do edital para selecionar o designer responsável pela identidade visual do circuito, Belarmino se inscreveu e conta que se surpreendeu com o resultado, mesmo sendo algo que esperava.

“Fiquei feliz quando saiu o resultado e feliz por também homenagear Paulo Freire, fora que o circuito, em sua 11º edição, tem uma história muito bonita (…) Então, diante da minha arte, quando coloquei o Paulo levantando um ‘livrozinho’, foi essa tentativa de mostrar a necessidade da pesquisa, da universidade e tudo isso que a gente sofreu nesses últimos anos, essa perseguição, mostrando esse poder da educação, mas também de uma maneira incomum.” falou o universitário.

A identidade visual do circuito traz em sua composição uma ilustração do patrono da educação, Paulo Freire, segurando em suas mãos um livro, representação da luta pela qual o homenageado dedicou sua vida. A arte conta ainda com objetos que simbolizam o circuito, como é o caso da câmera de filmagem em cima da cabeça do patrono, e a cidade de Penedo, aqui são utilizadas ilustrações do Rio São Francisco, piranhas, barcos e as igrejas, todos esses símbolos trazem uma coloração vibrante dando vida e cara ao evento.

Como forma de agradecimento ao trabalho, Belarmino foi homenageado no palco da tenda de exibições, durante o encerramento do circuito, na noite do domingo (28).

“Correndo atrás” encerra a programação de exibição de filmes do 11º Circuito Penedo de Cinema

Bate-papo sobre o longa contou com a presença do ator Francisco Gaspar

Encerrando a programação de exibição de filmes na tenda do Circuito Penedo de Cinema 2021, o longa “Correndo atrás”, foi reproduzido na noite deste último domingo (28), seguindo também de um bate-papo sobre a produção. A conversa contou com a presença do ator paraense Francisco Gaspar, que enfatizou a importância de mostrar novas perspectivas acerca daqueles que vivem em comunidades.

Tendo como diretor Jeferson De, responsável também pela direção do longa “Doutor Gama”, “Correndo atrás” coloca em evidência o protagonismo negro, onde a maior parte do elenco é construído por pessoas pretas, dentre elas estão nomes como Ailton Graça, Juliana Alves e Lázaro Ramos, além disso, o roteiro foi escrito em uma parceria do ator e humorista Hélio de La Penha e Jeferson De e se baseia no livro “ Vai na bola, Glandeson!” de La Penha. 

Durante o debate, Gaspar contou que o filme é uma expressão do cotidiano, mostrando a luta pela sobrevivência, reproduzindo também a malandragem, característica marcante do personagem principal, interpretado por Ailton Graça.

Gaspar fala ainda que existem diversas maneiras de se contar uma história e chamou a atenção do público para o fato de que, mesmo o filme trazendo como cenário uma favela, no Rio de Janeiro, com pessoas pretas, não há – durante todo o longa – uma arma, isso foi pensado justamente para desconstruir a ideia pré-estabelecida de violência e evidenciar o cotidiano.

Ainda, já encerrando sua participação no debate, o ator descreveu um pouco sobre sua trajetória e deixou para aqueles que buscam seguir a carreira do teatro/cinema um conselho: “Estudem!”.

Confira o debate na íntegra aqui.

Aplausos e protestos antirracistas marcam a exibição de “Doutor Gama” na penúltima noite do Circuito de Cinema

Obra retrata a luta do advogado Luiz Gama em defesa do povo preto

No penúltimo dia do Circuito Penedo de Cinema, a sala de exibição, localizada na praça 12 de abril, estendeu seu tapete vermelho para o longa “Doutor Gama”. A produção retrata a história do Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil, Luiz Gozaga Pinto da Gama. Estrelado pelos atores Angelo Fernandes, César Mello e Erom Cordeiro, o filme traz a representatividade negra e evidencia as lutas travadas pelo advogado abolicionista.

Com o objetivo de conversar e introduzir ao público um pouco sobre a história de Gama e tirar dúvidas sobre o processo de construção do longa, foi realizado um debate que antecedeu a exibição do filme. Trazendo falas necessárias à realidade atual, os atores evidenciaram a importância do movimento do povo preto e afirmaram que “Doutor Gama” é só mais uma extensão dessa mobilização.

Durante a roda de conversa, foi debatido sobre o lugar de ocupação do negro no processo de elaboração da produção, uma vez que parte da equipe técnica é formada por pessoas negras.

Obra retrata a luta do advogado Luiz Gama em defesa do povo preto | FOTO: Kamylla Rafael

“A partir do momento que eu tenho um diretor negro, uma produtora executiva negra, um roteirista negro, tenho pessoas do áudio negras, um figurinista negro, eu me sinto mais à vontade para trabalhar porque eu sei que essa pessoa vai contar a história com propriedade, ela não vai contar como uma pessoa branca, então esse momento se deve a ocupar esse lugar, o poder da caneta. Então, se der esse poder pra gente, a gente vai chegar (…) e isso mostra importância que o cinema negro tem”, relata o ator Angelo Fernandes.

Retaliando o protagonismo branco, o longa escancara a necessidade de evidenciar um personagem que, mesmo contribuído para o desenvolvimento sociopolítico do país e com seus trabalhos trazendo conceitos angulares à formação do movimento negro, sofre um processo de apagamento histórico.

O longa, reproduzido no sábado (27), lotou a sala de exibição e arrancou do público presente longos e emocionados aplausos, além de gritos de protestos antirracistas, contra o governo e a máxima “Vida negras importam”.

Confira o debate na íntegra aqui.

O verdadeiro Doutor Gama

Nascido no estado da Bahia e como um homem livre, com seus 10 anos de idade, Luiz Gama foi vendido por seu pai a um mercador de escravos, como forma de saldar dívidas. Apesar de ter passado a viver escravizado, Gama possuía curiosidade e vontade de aprender, sendo descrito como um autodidata.

Aos 17 anos e já letrado, viu nas brechas das leis imperiais a possibilidade de sua alforria e assim, após lutar na justiça, se tornou liberto. Mesmo sendo conhecido por seus variados campos de atuação, Luiz Gama se destacou na advocacia, defendendo e lutando na justiça pela liberdade do povo escravizado.

Embora sendo dotado de uma mente brilhante, o também jornalista, foi impedido de se matricular na faculdade de direito, devido a retaliações de professores e alunos, participando apenas como ouvinte. Apesar da proibição, o baiano conseguiu uma autorização do judiciário para exercer a advocacia como rábula, prática comum à época, concedida àqueles que não tinham formação jurídica. Somente em 2002, após 120 anos de seu falecimento, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reconheceu seu registro de advogado.

Luiz Gama, tornou- se o patrono da abolição da escravidão e sua luta se reverbera pela contemporaneidade, dando respaldo às reivindicações do povo preto brasileiro que ainda sofre com as mazelas deixadas pelo período escravocrata.

Mayana Neiva participa de debate e sessão do Circuito Penedo de Cinema

Na ocasião, a artista contou sobre sua personagem e o processo de produção do filme “O Silêncio da Chuva”, exibido no evento

A tarde do sábado (27) de exibições do Circuito Penedo de Cinema foi marcada pelo debate e sessão do longa-metragem “O Silêncio da Chuva”, dirigido por Daniel Filho. No debate mediado por Ninho Moraes, a atriz Mayana Neiva esteve presente e contou um pouco sobre sua participação no filme e experiência como atriz.

Em uma adaptação das histórias do detetive Espinosa, de Luiz Alfredo Garcia Rosa, a trama do filme possui um formato clássico de filme policial, que envolve ação, humor e drama, além de se classificar no subgênero “noir”.

Na pele da personagem Rose, Mayana conta que essa atuação foi um grande desafio, pois envolve muitos elementos e é diferente de todas as produções de sua experiência. “O Daniel é um grande diretor e foi capaz de orquestrar muito bem todos esses elementos propostos na trama que ainda foram gravados em apenas um take”, destacou a artista.

A atriz também ressalta a preocupação do diretor em atribuir ao filme a visibilidade da força feminina que faltou no livro. “Algo que celebro muito é a presença de mulheres donas de suas histórias e isso é algo muito presente neste roteiro. Essa foi uma direção focada em garantir a voz das personagens femininas”, comentou Mayana.

Ao fim do bate-papo, a atriz recebeu do Circuito o seu troféu carranca, símbolo na defesa pelo Rio São Francisco e aproveitou o momento para destacar a importância de eventos como esse. “É uma grande alegria estar em um festival como esse, que proporciona uma experiência de Brasil tão rara, que não encontramos em cinemas convencionais”, ressaltou a atriz.

Confira o debate na íntegra aqui.

Em sessão lotada, ‘Marighella’ é exibido após bate-papo sobre o filme

A exibição trouxe à tona o debate sobre a situação política do país; Maria Marighella, neta do dirigente comunista, esteve em Penedo para discutir sobre o longa-metragem

A poucos dias dos 110 anos de Carlos Marighella, na noite desta sexta-feira (26), o público lotou a sala de exibições montada às margens do Rio São Francisco para assistir ao tão comentado filme dirigido por Wagner Moura que retrata a vida do dirigente comunista. Neta de Marighella e parte do elenco do longa-metragem, Maria Marighella esteve em Penedo para debater a relevância histórica de seu avô e a pertinência da obra (censurada no Brasil durante os dois últimos anos) para a atualidade, num dos cenários políticos mais ameaçadores da história do país.

Da esquerda para a direita, Maria Marighella, Ninho Moraes, mediador do debate, e Chico de Assis, apresentador da cerimônia / FOTO: Kamylla Rafael

Para Maria Marighella, que atualmente ocupa uma das cadeiras da Câmara Municipal de Salvador, o longa é uma “reivindicação de futuro”. “O filme nos mobiliza à ação”, afirma, “ensinando que não se negocia com a barbárie, mas que a barbárie se combate!”. Isso fica claro desde as primeiras cenas da obra, que ilustram o momento pós-golpe, em 1964, quando Marighella, após ter antevisto a tomada de poder pelos militares, abandona a inércia do Partido Comunista do Brasil (o PCB) para formar um dos principais grupos de luta armada do país. 

Em comparação ao golpe de estado de 2016, cujos efeitos catastróficos ainda são latentes para os brasileiros, a neta do guerrilheiro que se inspirou nas revoluções russa, cubana e vietnamita admite que faltou “reflexão, organização e ação” a boa parte da esquerda. Segundo ela, o impeachment de Dilma Rousseff significou “o avanço das forças mais violentas contra a democracia” no Brasil. Provavelmente, a vereadora se refere à ascensão do fascismo, força política tão bem representada no filme. 

Um dos trunfos do longa é justamente mostrar o funcionamento real de um regime desse tipo, para o qual caminha o Brasil de hoje. Em “Marighella”, fica claro que a tortura, o estupro, o assassinato, a censura e a perseguição moral não são tratamentos exclusivos para as figuras que subvertem esse poder, mas se constituem quase como um esporte para aqueles que formam o aparelho repressivo do estado. Por isso mesmo, o drama é recurso presente durante boa parte do filme, bem como os princípios de liberdade e coragem necessários para superá-lo.

Em algumas entrevistas, o diretor estreante Wagner Moura chegou a declarar que ele e os demais produtores foram ameaçados ainda durante as filmagens. Com o desmonte da Ancine (Agência Nacional do Cinema) através do governo Bolsonaro, o filme foi perseguido e engolido pela burocracia estatal, o que adiou por dois anos o seu lançamento no Brasil. Em função disso, a base de apoio da extrema-direita iniciou inúmeros ataques à obra, chegando ao ponto de contestar o fato de Marighella ser apresentado exatamente como era: um homem negro.

Sobre a censura sofrida pelo longa-metragem, Maria Marighella opina. “É muito difícil, no Brasil de 2021, fazer o encontro de Marighella com os banqueiros, que são os mesmos que patrocinam os filmes.” Para ela, esse é o retrato de um governo “perseguidor” que atua como “polícia política”. “Que país é esse onde a política não orienta o banco, mas é o banco que orienta a política?”, critica. “Em cada canto do capital tem uma mão suja de sangue. Por isso, devemos radicalmente conectar o espírito revolucionário nas agendas tradicionais de luta. Marighella precisa ecoar!”

Alunos do IFAL Penedo participam de oficina e produzem curta

Filme será reproduzido na tenda de exibição durante o encerramento do circuito de cinema

Nos dias 26 e 27 de novembro, o Circuito Penedo de Cinema, em parceria com o Sebrae Alagoas, proporcionou aos alunos do Instituto Federal (IFAL) da cidade a produção de seu primeiro filme. O trabalho é o resultado da oficina “Realização Cinematográfica”, onde os estudantes puderam entender que, por trás do que se é mostrado em salas de cinema, existe um processo árduo de elaboração.

Alunos do IFAL Penedo participam de oficina e produzem curta | FOTO: Nathália Bezerra

Trazendo uma produção com diferentes ângulos e cortes, a oficina ministrada pela produtora Alê Moretti deixou impressões marcantes nos jovens, que descreveram a experiência como trabalhosa e inesquecível, mas também como prazerosa e surpreendente, arrancando orgulhosos aplausos da turma de estudantes responsáveis pela realização do curta.

Aproveitando o trabalho realizado com os alunos na oficina de criação de roteiro, Alê explica que “Carta ao Velho Chico” foi construído em três etapas, a primeira sendo uma aula de atuação ministrada por Wander Melo, onde foi trabalhado meios de atuar e, principalmente, de como agir no set de cinema. Em seguida, os alunos puderam entender sobre o passo a passo de uma fotografia e, alguns jovens, foram treinados para exercer o papel de diretor de fotografia, assistente de foto, diretor de som e assistente de som. Por último, os estudantes seguiram para a beira do Rio São Francisco, local que serviu como set de filmagem para a produção.

A produção será exibida na noite de encerramento do Circuito Penedo | FOTO: Nathália Bezerra

O curta, além de ser uma experiência nova, foi para Damião Brown, aluno do 3º ano do curso de química do IFAL, uma realização artística pessoal que o fez se conectar ainda mais com suas raízes, especialmente com seu pai, que faleceu no início deste ano em decorrência da Covid-19.

“A oficina teve uma importância muito grande pra mim (…) eu nem pensava em participar, mas quando recebemos o convite eu pensei ‘vai dar certo’. E ainda estou passando por um momento de recuperação física e mental, reaprendendo a lidar com a vida, a vida após o luto (…) e agora eu estou aprendendo a tocar sozinho a minha vida, porque antes quando eu tinha o meu artista, o meu pai, sempre quando eu fazia alguma coisa perguntava: pai, tá bom? gostou? fiz um desenho, tá legal? e sempre ele queria que eu desse o meu 100% em tudo e dessa vez não tinha ele para me dar essa aprovação” contou Damião.

O autor da carta que deu nome, e roteiro, ao curta relatou ainda que seguiu o último conselho do pai, e se permitiu dar tudo de si durante a produção do filme. Contou ainda que se sente muito orgulhoso com o resultado.

“Carta ao Velho Chico” será exibido na sala de exibição neste domingo (28), na praça 12 de abril, durante o encerramento do circuito .

Circuito Penedo realiza testes RT-PCR em toda equipe de trabalho e convidados do evento

A ação aconteceu em parceira com a Ufal, coordenada pela vice-reitora Eliane Cavalcante

Diante do cenário de pandemia do Covid-19 a qual ainda estamos submetidos, situação que exige reconfigurar a realização de qualquer evento no formato presencial, o Circuito Penedo de Cinema manteve os protocolos de segurança da equipe e do público. E nesse contexto de dificuldades técnicas, sociais e pessoais, garantir a segurança da equipe, convidados e público tem relação direta com o presente para, enfim, preparar o futuro.

Na sexta (26) e sábado (27), realizamos testagem em toda a equipe de trabalho e convidados com o intuito de monitorar e atestar a biosegurança de todos os participantes do evento. A ação aconteceu em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, tendo a coordenação da vice-reitora e bióloga, Eliana Cavalcante, que também aplicou a testagem em toda a equipe. 

“O primeiro passo para a gente vencer a pandemia é a testagem. Quando testamos conseguimos medir o número de propagação e como o vírus está se comportando. Além disso, essa ação demonstra a preocupação da Universidade tanto com a equipe que está organizando o evento quanto com os convidados do festival”, diz Cavalcante.

Foram coletadas cerca de 150 amostras, sem nenhum caso positivo para o vírus. A ação de RT-PCR, considerado o exame mais preciso no mundo, tem sido aplicada em outros eventos parceiros da Ufal, como a recente Expedição Científica do Rio São Francisco.

“Precisamos reforçar que a pandemia continua e com a perspectiva de uma quarta onda. Assim, devemos continuar nos protegendo para que todas e todos estejam seguros e seja possível passar por esse momento tão difícil”, ressalta a vice-reitora.

Exibição de “Nazo – Dia e Noite Maria” lota sessão do Circuito Penedo

Considerado patrimônio vivo de Penedo, Nazo é protagonista no filme e conta sobre a discriminação enfrentada na luta por sua identidade de gênero

A noite da última quinta-feira (25), teve como atração principal, a exibição do filme convidado “Nazo – Dia e noite Maria”, que atingiu a capacidade máxima de presença na sala e rendeu muitos aplausos do público presente. Dirigido pela professora da Ufal Andréa Paiva, o documentário conta a história de Nazo, penedense que se descobre e luta pelo seu direito de ser LGBTQIA+.

Andréa conta que o Circuito Penedo de Cinema foi um dos principais impulsionadores para a construção do filme, que foi realizado com recursos próprios. “O Circuito é responsável pela minha iniciação no audiovisual. Foi o ambiente das oficinas e capacitações que me levou a essa área e foi através do evento que a ideia desse enredo surgiu”, destacou a diretora.

O curta apresenta a luta de Nazo por garantia de direitos e respeito à identidade das travestis | FOTO: kamylla Rafael

De acordo com Machado Júnior, diretor de fotografia do filme, a produção durou 1 ano e contou com a consultoria de Rafhael Barbosa, um dos diretores de “Cavalo”, longa-metragem alagoano que foi pré-selecionado ao Oscar 2022. “Conheci Andréa em uma das oficinas do circuito que era ministrada pelo Rafhael. Nessa oportunidade, conseguimos unir esse contato e trazer todo o aprendizado para o filme de Nazo”, contou Machado.

A História do Protagonista

Apelidado carinhosamente por “Nazo do Amendoim”, ele é uma figura ilustre, conhecida por toda a cidade e considerada pela diretora do filme “um patrimônio vivo de Penedo”. Dentro dessa percepção, a ideia de ilustrar a história de vida do personagem surgiu a partir de uma crítica à homofobia. “Eu conheci Nazo há mais ou menos 8 anos e nesse contato pude conhecer sua trajetória de vida e perceber que a história era digna de um filme”, salientou Andréa.

Presente na sessão, Nazo também assistiu ao documentário. O protagonista conta que se considera um vencedor e se alegra em participar desse momento no evento. “Aos meus amigos que também lutam contra a homofobia eu digo que não desistam, não deixem de ser quem vocês são”, reforça Nazo.

Oficina de criação de roteiro traz novas perspectivas aos alunos do Ifal Penedo

O encontro possibilitou refletir sobre as diversas possibilidades narrativas audiovisuais; a oficina encerrou nesta quinta-feira (25)

A sede do SEBRAE Penedo nos dias 24 e 25 de novembro abriu suas portas à oficina de Criação de Roteiro, onde alunos do Instituto Federal (IFAL) da cidade participaram e conseguiram obter uma nova perspectiva das histórias que os rodeiam. 

Durante dois dias, as aulas ministradas pela roteirista Laís Araújo, propuseram novos conceitos que ajudaram a abrir novos caminhos e novas formas de interpretar o mundo, trazendo a possibilidade de uma escrita consciente aos jovens alunos.

Laís conta que “é sempre prazeroso dar esse tipo de assunto, de teorias, principalmente para alunos do ensino médio, porque quando você apresenta um novo conceito para pessoas tão novas você ajuda a ter uma nova forma de interpretação do mundo. Formas de analisar uma narrativa, uma história é sempre positivo, é uma troca positiva”.

Atraídos pela curiosidade, os alunos afirmam que a oficina ultrapassou as expectativas e que as aulas os inseriram em uma nova perspectiva de produção. O artista conhecido como “Allê, o santo” também se fez presente e afirmou que, apesar de divertido, não imaginava o quão trabalhoso é a construção de um roteiro. “Estamos agora tendo acesso a alguns exemplos de curta-metragem, realizando uma pequena produção de cena e isso já nos faz repensar o cinema” afirmou Allê.

Realização

O Circuito, composto por três festivais competitivos, mostras não-competitivas e pelo 11º Encontro de Cinema Alagoano vai até o dia 28 de novembro e, para saber mais sobre outras oficinas que estão sendo realizadas, confira a programação através do link